A perícia e a tragédia de Brumadinho


Infelizmente a história se repetiu. Três anos após a tragédia de Mariana, que aconteceu no dia 05 de novembro de 2015, na barragem de Fundão, houve outro rompimento, desta vez na pequena cidade de Brumadinho, com população estimada de 40 mil habitantes, ambas no estado de Minas Gerais.


Em número de mortos, essa tragédia já supera a anterior, onde 19 vítimas perderam a vida. Até o momento foram contabilizados 35 mortos, e ainda existem mais de 200 pessoas desaparecidas. Embora a quantidade de rejeito de mineração vazada em Brumadinho seja menor do que a despejada sobre o Rio Doce, os danos socioambientais serão enormes. O alerta é feito pelo biólogo Renato Ramos. “As informações são muito desencontradas no momento. A gente vê informações de que são um milhão de metros cúbicos de rejeito, outras de que pode chegar a até 13 milhões de metros cúbicos de rejeito. É uma proporção muito menor do que aconteceu no desastre de Mariana, mas também é um desastre severo”, alerta.


Ramos é responsável por um estudo, em parceria com o geólogo Sófocles de Assis, no qual aponta que 19 municípios mineiros devem ser atingidos pela onda de lama. São eles: Betim, Brumadinho, Curvelo, Esmeraldas, Felixlândia, Florestal, Fortuna de Minas, Igarapé, Juatuba, Maravilhas, Mário Campos, Morada Nova de Minas, Papagaios, Pará de Minas, Paraopeba, Pequi, Pompéu, São Joaquim de Bicas e São José da Varginha. Segundo os pesquisadores, é possível que a pluma chegue até a barragem de UHE Retiro Novo, próximo a Três Marias.


Ao jornal “Brasil de Fato”, os especialistas afirmaram que já vinham trabalhando no estudo das consequências do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, e por isso puderam elaborar rapidamente um prospecto do impacto dessa nova tragédia. Esses estudos podem, por exemplo, evitar que a lama chegue ao Rio São Francisco, provocando um dano ainda maior. “A gente está pensando nesse momento que uma medida para conter o fluxo da lama é fechar a barragem de Três Marias. Ali tem um reservatório muito grande e talvez a quantidade de água que existe ali depure a lama, segura ela, que seria depositada no leito do reservatório. Isso ajudaria a não impactar o restante do Rio São Francisco”.


Estudos apontam que há mais de 400 barragens de rejeitos no território mineiro, sendo que 50 apresentam riscos. O rejeito da barragem do Córrego Feijão chega ao Rio Paraopeba, e pode comprometer o abastecimento de água de aproximadamente 1 milhão de pessoas.


E o que a perícia tem a ver com esse fato? Muita coisa. A barragem da Vale que rompeu em Brumadinho já era investigada de forma preventiva desde o ano passado, segundo o procurador-geral de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais, Antônio Sérgio Tonet. Ele afirmou que, no final de novembro de 2018, uma petição com laudos de perícia feitos por uma empresa contratada pela mineradora foi entregue ao MP, assegurando a segurança da estrutura. Antes do pronunciamento do procurador, o recém empossado governador de Minas Gerais, Romeu Zema, afirmou que todos os alvarás e licenças da barragem estavam em dia, e que a área estava praticamente coberta pela vegetação".


O ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, disse que técnicos da Agência Nacional de Mineração estão em Brumadinho para apurar fatos e buscar mais papéis sobre a barragem. Segundo ele, toda a documentação obtida até o momento demonstra que a situação estava regular e, agora, os funcionários da agência analisam informações relativas aos licenciamentos.


Agora, de acordo com Luiz Augusto Pessoa Nogueira, o delegado responsável pelo caso, o objetivo é não perder tempo e promover as perícias e outras diligências que poderiam ser impossíveis de fazer posteriormente.

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