Jeffrey Dahmer, o canibal americano

É muito complicado tentar descrever a personalidade de Jeffrey Dahmer. Também conhecido como “carniceiro de Milwaukee”, psiquiatras dividiram-se sobre sua imputabilidade. Embora diagnosticado como portador de transtorno de personalidade limítrofe, transtorno de personalidade esquizoide e psicose, Jeffrey foi considerado legalmente são em seu julgamento.


Jeffrey Lionel Dahmer nasceu em 21 de maio 1960, e foi criado em uma família de difícil convivência. Seus pais brigavam diariamente. Sua mãe era considerada muito nervosa e extremamente sensível. Seu pai era bastante ausente, dado seu empenho acadêmico e sua ocupação como químico. Jeffrey sempre foi visto como uma criança introspectiva e tímida. Aos 6 anos, quando seu irmão nasceu, sua timidez agravou-se, vivendo praticamente em silêncio.


Talvez o episódio que mais marcou sua infância e que, provavelmente, moldou seu psicopatismo se deu aos 4 anos. Jeffrey foi submetido a uma séria cirurgia para retirada de duas hérnias. Posteriormente, ele relatou que teria sido enganado pelos médicos, pois ninguém teria lhe contado que “pessoas estranhas abririam e mexeriam em seu corpo enquanto dormia”.


Na adolescência, passava seu tempo coletando animais mortos pela rua para depois examiná-los anatomicamente. Gostava, também, de torturar animais vivos e, quando mortos, empalava suas cabeças como se fossem espantalhos.


Quando adulto se tornou alcoólatra, sendo esse um dos motivos para sua expulsão do exército americano. Também foi preso por desordem e embriaguez. Em 1986, ficou recluso por ter se masturbado na frente de dois meninos. Três anos depois foi novamente encarcerado, mas dessa vez por ter abusado sexualmente de crianças. Sob condicional, dormia no presídio, mas podia sair para trabalhar durante o dia. As autoridades não sabiam que, nesse pequeno período de liberdade, praticava diversas atrocidades.


Jeffrey assassinou 17 homens, jovens e adultos, entre 1978 e 1991, sendo a maioria dos assassinatos ocorridos entre os anos de 1989 e 1991. Seus crimes eram particularmente hediondos, envolvendo estupro, necrofilia e canibalismo.


Ele seduzia suas vítimas em boates ou sauna gays. Quando sua vítima entrava em sua casa, o canibal a drogava e a matava, normalmente por estrangulamento. Com a vítima morta, costumava masturbar-se em cima do cadáver e, logo depois, praticava sexo anal ou oral com o defunto. Logo após, “guardava” o corpo para, quando sentisse vontade, voltar a manter relações sexuais. Fotografava todo o processo e disse que sentia prazer ao rever as fotos. Quando o cadáver se tornava “intragável”, abria o tórax e ficava deslumbrado com a visão anatômica do corpo humano. Disse que seu fascínio era tão grande que mantinha “relações sexuais com os órgãos”.


Após essa fase, passava, então, a esquartejar o corpo. Separava as partes que considerava úteis das inúteis. A partir daí, não tinha mais prazeres sexuais, e sim gastronômicos. Isso mesmo, ele ingeria suas vítimas. Declarou ter grande apreço por corações e tripas. Um de seus pratos preferidos era o croquete de carne humana. Sem esquecer dos músculos fritos. Relatou que tinha ereções durante suas refeições. Acreditava que, comendo suas vítimas elas teriam uma “sobrevida” dentro de seu corpo.


Uma de suas maiores decepções foi com o gosto de sangue humano: confessou não ser agradável ao seu paladar. Ao que parece aprendeu muito de química com seu pai, pois utilizava produtos químicos para transformar carnes e ossos em líquido, ao ponto de poder escoar o material humano pelo ralo.


Guardava os crânios de suas vítimas como troféus de campeonatos esportivos. Receando que alguma visita desconfiasse de suas “decorações”, pintava as caveiras de cinza para dar a impressão de que eram instrumentos de estudantes de medicina. Tinha tanto orgulho de seus crânios que projetou transformar a sua casa em um santuário, a fim de melhorar a sua vida social e sua situação financeira.


O apartamento de Jeffrey foi descoberto ao acaso, a partir de uma ronda de dois policiais, nas proximidades da Universidade de Marquette, em Milwaukee, Wiscosin. Os oficiais prenderam um homem negro que corria nu e algemado pelas ruas, pensando se tratar de um fugitivo. O rapaz se identificou como Tracy Edwards, de 32 anos, e mencionou que estava em um encontro homossexual quando foi vítima de uma tentativa de homicídio. Ainda que relutantes com a história, os policiais se deslocaram até o endereço informado por Edwards.


Os policiais foram atendidos por um homem educado, que, de imediato, se ofereceu para buscar as chaves das algemas que estavam no quarto. Desconfiado, um dos oficiais se deslocou até o corredor da residência e percebeu que as paredes estavam cobertas por fotografias de cadáveres, vísceras e cabeças decepadas.


As surpresas encontradas no interior do imóvel deixaram os policiais completamente perplexos. Na pia da cozinha, estava um torso humano rasgado; na tábua de carne próxima, um pênis fatiado, pronto ser cozido; na geladeira, uma cabeça em estado avançado de decomposição; no congelador, três cabeças acondicionadas em sacos plásticos. Além de diversos restos humanos, foram também encontrados tonéis repletos de torsos apodrecendo.


Os oficiais identificaram os restos mortais de 11 vítimas diferentes, todos homens, sendo a maioria negros.

Jeffrey Dahmer foi levado a julgamento em 15 de fevereiro de 1992. Ao ser questionado ele se declarou culpado dos crimes pelos quais estava sendo acusado. A Defesa apresentou 45 testemunhas durante o julgamento, as quais relataram o comportamento estranho do acusado e suas desordens mentais e sexuais. Por outro lado, a acusação, representada pelo promotor Michael McCann, demonstrou que Jeffrey era frio, premeditado e perfeitamente capaz de controlar seus impulsos.


Após cinco horas de deliberação, o júri chegou ao veredicto: em julho de 1992, Jeffrey Dahmer foi considerado culpado das múltiplas acusações de homicídio, e foi condenado a 15 penas de prisão perpétua. Posteriormente, ele foi sentenciado a uma 16ª pena de prisão perpétua, dessa vez pelo homicídio de Steven Mark Hicks, ocorrido em 1978.


Na prisão, Jeffrey continuou dando mostras do seu macabro senso de humor: uma vez avisou os carcereiros que tivessem cuidado com ele, porque ele mordia. Em outra ocasião publicou um anúncio no boletim da prisão para formar um grupo de “canibais anônimos”.


Em 28 de novembro de 1994, os agentes penitenciários do instituto deixaram Jeffrey trabalhar na companhia de dois outros presos: Jesse Anderson, um homem que havia assassinado a própria esposa, e Christopher Scarver, também preso por homicídio. Quando os agentes retornaram, 20 minutos depois, ele havia sido espancado pelos companheiros de presídio. Jeffrey Dahmer morreu na ambulância, a caminho do hospital.





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