Limpeza de Locais de Crime

Você sabe o que acontece depois que a perícia e os agentes policiais encerram o trabalho de investigação e deixam a cena do crime? Bem, em primeiro lugar, sem dúvidas, deve vir a higienização do local. E, nesse caso, especialmente para que familiares ou amigos da vítima não corram riscos de contaminação e evitem traumas ainda maiores, existem as empresas especializadas na limpeza de cenas de crime.



Esse tipo de serviço, nos Estados Unidos, pode custar até 100 mil dólares, o que torna esse mercado bastante atraente. No entanto, tenha em mente que esses profissionais precisam colocar as mãos em partes de corpos em decomposição, e lidar com cenas de homicídios e crimes horríveis.

E não importa quantos episódios de Dexter e de CSI você tenha assistido, nada disso o terá preparado para encarar a vida real. Além de todos os aspectos chocantes, o fato é: a cena do crime é um lugar extremamente perigoso. Seringas sujas, restos de ossos, tecidos, pele e tudo isso agravado pelo risco de contaminações mortais, são apenas algumas das coisas que você encontra nesses lugares.

Vamos contar aqui um caso real, mas alteramos os nomes para preservar os envolvidos.


Sente-se um odor intenso, nauseante, de sangue e putrefação. Um odor que entranha nas roupas, ao respirar, que repugna. Logo à entrada de um velho prédio em Almada, Portugal, sente-se esse cheiro antes mesmo de subir as escadas. Foi por causa do cheiro, que foi ficando mais intenso a cada dia, que os vizinhos desconfiaram da morte de Jouni.


Jouni era finlandês, mas vivia em Portugal há 17 anos. Nos últimos quatro, nesse apartamento, para onde se mudou depois que se separou da mulher portuguesa.

Maria Antônia era sua vizinha do terceiro piso. Conta que Jouni sempre fora discreto e de pouca conversa, mas educado. Além disso, soube que ultimamente ele estava pensando em voltar para casa, na Finlândia, o quanto antes, mas que estava sem dinheiro e não queria pedir à família. Tinha 53 anos, e fazia desenhos para livros, era ilustrador.


Mesmo depois do corpo ser retirado do quarto onde o ilustrador dormia e trabalhava, o cheiro permaneceu no prédio. Um familiar de Jouni ofereceu-se para custear a limpeza do quarto onde o finlandês morrera. Levaria todo o acervo do ilustrador de volta para a Finlândia, e o apartamento poderia voltar a ser alugado.

Quando os técnicos chegaram, antes mesmo de entrarem na casa, equiparam-se com macacões, luvas, máscaras e óculos, até que não sobrasse qualquer parte do corpo sem proteção. Ao entrarem no apartamento, viram imediatamente que na cozinha havia latas de atum, provavelmente sua última refeição. Ao lado, a insulina da qual era dependente — Jouni sofria de diabetes –, a medicação para a gripe e peixe descongelado (então, apodrecido e rodeado por moscas) que ele nunca haveria de comer. O espaço do local era exíguo. Jouni, aparentemente, havia morrido sozinho, dias antes. A cama estava ensanguentada. O chão ao redor também. O corpo expeliu sangue e fluidos (em alguns casos, durante a decomposição, o abdômen pode até explodir devido à acumulação de gases) dias após a morte.


Tudo é colocado em caixotes, que mais tarde seguirão para incineração. Não pode ser de outro modo: há risco biológico nos processos de decomposição e ele deve ser eliminado. O colchão, que também está repleto de sangue, é recortado, de ponta a ponta, até sobrarem apenas as molas.



O que é de tecido será incinerado, o metal seguirá para reciclagem, mas devidamente acondicionado. Nada do que é retirado pelos técnicos é deixado no lixo doméstico. Do assoalho são removidos todos os tacos ensanguentados, um por um, até que sobre apenas o cimento – e mesmo esse, não sendo retirado, será limpo com produtos de desinfecção que vão remover a coloração de sangue e a contaminação.


Ao final da tarde, o problema da contaminação estava quase resolvido. É o momento de iniciar a purificação e a desodorização do ar. O que levará um ou dois dias.


No Brasil também temos empresas que prestam este serviço, entre elas está a Sewell, que atua nessa área há aproximadamente 20 anos.

Difícil, não? E você, encararia este trabalho?



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