O sequestro do ônibus 2520 no Rio de Janeiro


William Augusto da Silva, de 20 anos, que sequestrou o ônibus 2520

No início da manhã de terça-feira, dia 20 de agosto, quem precisou atravessar a Ponte Rio-Niterói se deparou com um trânsito que ultrapassou 100 km. O motivo: um ônibus com 37 passageiros foi sequestrado e de imediato a concessionária que administra a Ponte, interditou o local. O sequestro durou mais de 3 horas.





Motivação do sequestro do ônibus


Segundo os passageiros do ônibus, o sequestrador não foi violento e revelou que não queria roubar pertences de ninguém, mas sim, “parar o Estado”.

“Eu não quero machucar ou levar os pertences de vocês, só quero entrar para a história. Ao fim do dia, vocês vão ter muita história para contar.” – disse William Augusto da Silva, de 20 anos, que foi alvejado por um atirador de elite da Polícia Militar e morreu a caminho do hospital.


Um sequestro inusitado em que o sequestrador permitia que os reféns falassem com seus familiares, mesmo com as mãos pouco imobilizadas. Em um determinado momento, William pediu um celular com televisão para saber da repercussão do caso na mídia e ficava várias vezes de costas para os passageiros.


Desfecho com morte


Atirador de elite da Polícia Militar do Rio de Janeiro

William Augusto se sentia muito à vontade com a situação e, por diversas vezes, perguntava para a polícia, através de um rádio, qual altura estava o engarrafamento. Tranquilo, com uma arma, que apenas ao término descobriu que era de brinquedo, o sequestrador aparecia com frequência no lado de fora da porta do ônibus.


Numa dessas saídas, o atirador de elite da Polícia Militar disparou diversas vezes contra William que, ainda com vida, foi levado ao Hospital Souza Aguiar. Ele morreu em decorrência de uma parada cardiorrespiratória e não houve mais nenhuma vítima.


Durante toda a ação, lembranças de outros sequestros que terminaram tragicamente, e marcaram o país, vieram à tona novamente. Vamos falar sobre dois deles.


Sequestro do ônibus 174


Sandro Barbosa do Nascimento, o sequestrador, e a professora Geisa Gonçalves, que foi feita de "escudo"

Há 19 anos, também no Rio de Janeiro, outro sequestro marcante em um ônibus com 10 reféns teve um desfecho trágico, com a morte da professora Geisa Firmo Gonçalves de 21 anos, grávida de 2 meses. Usada como escudo pelo sequestrador Sandro Barbosa do Nascimento, também 21 anos, a mulher foi baleada de raspão pela polícia e, em seguida, morta pelo suspeito.


O responsável pelo sequestro, que durou mais de quatro horas, foi Sandro Barbosa do Nascimento. A história de vida de Sandro e seu fim viraram até filme. Ele foi abandonado pelo pai e, ainda na infância, viu sua mãe morrer a facadas. Depois disso, viveu em ruas e abrigos. O rapaz foi um dos sobreviventes da tragédia da Candelária, quando diversos meninos, que estavam em situação de rua, foram assassinados a tiros perto da igreja, no centro do Rio de Janeiro. Os principais culpados pelo crime são policiais e ex-policiais.


Desfecho do sequestro do ônibus 174


As quase cinco horas de sequestro foram exibidas pelas emissoras de televisão ao vivo em vários instantes. Sandro Barbosa, ao sair do ônibus, usou a professora Geisa como escudo. Neste momento, a polícia se aproximou dos dois e fez um disparo que atingiu de raspão a mulher e logo em seguida, o sequestrador disparou contra a vítima que veio a óbito.

O suspeito foi morto asfixiado na viatura por um agente da Polícia Militar. A história de vida de Barbosa e o sequestro foram registrados pelos longas-metragens “Ônibus 174” e “A última Parada 174”.


Sequestro Eloá


Eloá - Durante as negociações com a polícia

Outro sequestro que marcou o Brasil e, foi lembrado pelos internautas nesta semana, foi o caso Eloá, que aconteceu em outubro 2008 em Santo André - SP. Lindemberg Alves Fernandes, 22 anos, sequestrou sua ex-namorada, Eloá, 15 anos, e mais três amigos que estavam estudando com ela em seu apartamento.


Motivação do Sequestro


Armado e muito violento, Lindemberg não se conformava com o fim do seu relacionamento com a Eloá. Ele invadiu o apartamento em que ela morava e a manteve em cárcere privado por quatro dias. Os dois amigos e Nayara, melhor amiga da adolescente, foram liberados no primeiro dia. Porém, no quarto dia, ela voltou ao apartamento para tentar negociar a rendição do sequestrador.


Nayara - Amiga de Eloá

Desfecho do Caso Eloá


No dia 17 de outubro, 4° dia, o sequestro chegou ao fim também de uma forma trágica. O Grupo de Operações Tática Especiais (Gate), explodiu uma bomba e invadiu o apartamento após alegar ter escutado um tiro. No entanto, o barulho veio de uma mesa que foi arrastada.


Ao perceber que seria pego, Lindemberg atirou duas vezes contra sua ex-namorada, que morreu e ainda baleou sua amiga.


A ação dos policiais, o posicionamento da imprensa, que entrevistou ao vivo o sequestrador, e dos agentes é alvo de crítica mesmo 11 anos após o ocorrido. O sequestrador foi denunciado por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe, em relação à Eloá, e tentativa de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe, por efetuar disparos contra Nayara e tentativa de homicídio qualificado contra um sargento da Polícia Militar.


Em 2012, Lindemberg foi a júri popular e foi condenado a 98 anos e 10 meses de prisão.



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