Tiroteios em escolas. Por que alguns adolescentes se tornam atiradores?

Atualizado: 14 de Mar de 2019


Hoje, dia 13 de março de 2019, dois atiradores abriram fogo na escola estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, cidade da grande São Paulo.


Os criminosos identificados como Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, atingiram 19 pessoas. Oito pessoas morreram, sendo cinco alunos, duas funcionárias e Jorge Antônio Moraes, dono de uma locadora de carros. Moraes era tio de Guilherme, um dos assassinos. Os onze feridos foram encaminhados para cinco unidades de saúde diferentes. Os dois atiradores se suicidaram. O crime aconteceu durante o intervalo entre aulas na escola. Segundo o governo de São Paulo, com os assassinos foram encontrados arco e fecha, garrafas de coquetel Molotov (arma química incendiária) e machadinhos.


Minutos antes de invadir a escola, Guilherme Taucci Monteiro, publicou fotos exibindo armas e usando uma máscara de caveira, nas redes sociais. Nessas imagens aparece, também, Luiz Henrique Castro fazendo gestos obscenos, exibindo uma arma de fogo e fazendo um gesto com as mãos, simulando um revólver, apontado para a própria cabeça.


Notícias envolvendo ataques de atiradores em escolas, como o de hoje, sempre suscitam discussões sobre o que leva as pessoas a cometerem atrocidades assim. Pesquisadores da Universidade Estadual de Portland, nos EUA, investigaram 29 tiroteios em massa em escolas americanas entre os anos de 1995 e 2015 e chegaram a algumas características comuns entre os 31 garotos envolvidos nos casos.


Segundo Kathryn Farr, autora principal do estudo, que foi publicado recentemente no jornal Gender Issues, os responsáveis por esses ataques lutavam para se encaixar naquilo que percebiam como o perfil ideal de comportamento de suas escolas.

Ela explica que o status social dos meninos nesse ambiente é determinado em grande parte pela aceitação dos colegas – e essa aceitação depende basicamente de ser considerado “macho o suficiente”. Para isso, eles devem obedecer a regras que geralmente envolvem ser heterossexual e durão, além de se afastar de “coisas de maricas” e se envolver em atividades e maneirismos típicos dos garotos que fazem sucesso na escola.


Todos os 31 atiradores descritos no estudo não se encaixavam nesse padrão e tinham grandes problemas por causa disso. Eles sofriam bullying, recebiam apelidos com referências homossexuais e femininas e sofriam rejeição de garotas e colegas do sexo masculino. Alguns até mesmo relataram terem sido vítimas de agressões físicas e sexuais de outros garotos.


Por fim, ela ainda adverte contra a estigmatização desnecessária de adolescentes com problemas: “Embora muitos meninos mostrem comportamentos e atitudes de risco, muito poucos se tornarão atiradores da escola”.


Veja aqui alguns casos de crimes em instituições de ensino que chocaram a sociedade.


10. Escola Goyases (Goiânia, Brasil):

Um estudante de 14 anos atirou contra colegas de turma em uma escola particular em Goiânia. Os estudantes João Vitor Gomes e João Pedro Calembro foram baleados e morreram no local. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, outros quatro estudantes ficaram feridos. O atirador e as vítimas estariam no oitavo ano do Ensino Fundamental.


9. Columbine (EUA):

Em 20 de abril de 1999, os adolescentes Dylan Klebold e Eric Harris concretizaram um plano macabro planejado há meses. A dupla invadiu a escola em que estudavam, na cidade de Littleton, Colorado, e abriu fogo contra outros estudantes, professores e funcionários. O ataque durou cerca de uma hora, envolvendo armas de fogo e bombas caseiras. Terminou com 13 mortos, além do suicídio de Dylan e Eric.


8. Creche Fabeltjesland (Bélgica):

Heath Ledger entrou para a história do cinema com sua performance em Batman – O Cavaleiro das Trevas, uma das mais icônicas dos últimos anos. Mas sua atuação também inspirou coisas ruins. Em 23 de janeiro de 2009, Kim De Gelder, de 20 anos, pintou os cabelos de vermelho, aplicou uma maquiagem parecida com a do Coringa, e entrou armado num berçário em Dendermonde, na Bélgica. Segundo sites de notícias da época, ele esfaqueou 15 pessoas e matou três. Duas delas eram bebês com menos de um ano de idade. A outra vítima foi uma mulher de 54 anos, que trabalhava no lugar. O crime aconteceu exatamente um ano depois da morte de Heath Ledger.


7. Escola Ikeda (Japão):

A escola Ikeda é uma instituição filiada à Universidade Osaka Kyoiku, no Japão. Em 8 de junho de 2001, Mamoru Takuma, um homem de 37 anos que já havia trabalhado como zelador na escola, entrou no estabelecimento com uma faca. Ele feriu 15 pessoas e matou 8. Todas as vítimas eram crianças de 7 e 8 anos. Depois de ser preso, Takuma mostrou muita instabilidade mental, apresentou comportamento suicida, e chegou a dizer que preferia ter usado gasolina para ter matado mais pessoas. Ele foi executado em 2004.


6. École Polytechnique (Canadá):

O pior caso de massacre de estudantes no Canadá aconteceu em 6 de dezembro de 1989, na escola de engenharia da Universidade de Montreal. O responsável pela tragédia foi Marc Lepine, um homem de 25 anos, que “odiava feministas”. Segundo o relato do crime, ele entrou em uma sala da faculdade com um rifle semiautomático e uma faca de caça e ameaçou um grupo de estudantes de engenharia mecânica. Depois de expulsar os homens, enfileirou as 9 mulheres da turma e disse: “Estou lutando contra o feminismo. Vocês são mulheres, vocês serão engenheiras. Vocês são um bando de feministas”. E abriu fogo. Além das nove mulheres baleadas na sala de aula, outras 18 foram feridas nos corredores da faculdade. 13 morreram. Depois de 20 minutos de terror, Lepine se matou. O crime chamou atenção pela sua motivação misógina.


5. Massacre de Erfurt (Alemanha):

Um dos ataques armados a escola que mais chocou a população alemã terminou com 17 mortos e outras sete pessoas feridas em 26 de agosto de 2002. Tudo graças ao plano de vingança de Robert Steinhäuser, um ex-aluno que havia sido expulso um ano antes da Escola Gutenberg por falsificar documentos. O jovem, que tinha 19 anos na época do crime, entrou na escola com roupas de ninja, uma máscara e duas armas, e atirou em diversos professores que encontrou pelo caminho. Só parou quando um dos professores o enfrentou e conseguiu encurralá-lo em uma sala de aula. Lá dentro, Robert se matou.


4. Escola Sandy Hook (EUA):

Em 14 de dezembro de 2012, um jovem de 20 anos, Adam Lanza, matou 20 crianças entre 6 e 7 anos na escola de ensino básico Sandy Hook, no estado de Connecticut. Antes do atentado, Lanza matou sua mãe. Ele cometeu suicídio antes da polícia chegar ao local.


3. Virginia Tech (EUA):

O mais letal dos ataques de atiradores em escolas na história americana é o registrado na universidade Virginia Tech, em 16 de abril de 2007. O sul-coreano Cho Seung-Hui, estudante da universidade, invadiu dois prédios da universidade, matando 32 pessoas e cometendo suicídio logo a seguir. No dia 18 de abril, uma rede de TV recebeu um pacote com fotos, textos e vídeo gravado por Cho seis dias antes do ataque, explicando por que cometeria o crime.


2. Parkland

No ano passado, o Massacre de Parkland abriu um grande debate em torno do porte de armas de fogo nos EUA. Um ex-estudante invadiu a escola Marjory Stoneman Douglas no dia 14 de fevereiro e matou 17 pessoas a tiros, entre alunos e funcionários. Os sobreviventes do massacre fundaram uma organização para pedir o fim do porte livre de armas no país.


1. Realengo (Rio de Janeiro, Brasil):

O Massacre de Realengo, como ficou conhecido o ataque à Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro da zona oeste do Rio de Janeiro. O ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, então com 23 anos, invadiu a escola armado com dois revólveres, matando doze estudantes com idade entre 13 e 16 anos. Oliveira cometeu suicídio ainda dentro da escola, quando fugia da polícia.

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