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Hipotermia - o frio que mata


Ainda que a expressão “morrendo de frio” seja bastante comum, a maioria de nós não faz ideia do que é realmente sentir frio a ponto de morrer. Mas por que temperaturas baixas são capazes de fazer com que o corpo humano simplesmente pare de funcionar?


Na grande maioria das vezes nós acabamos falando coisas como: estou morrendo de frio hoje, principalmente em dias de inverno, mas tais palavras podem ter um significado muito mais literal. A grande verdade é que o frio mata!


A hipotermia é uma condição fatal que ocorre quando a temperatura do corpo cai abaixo de um nível seguro. Bebês, idosos, pessoas e animais domésticos em situação de rua estão especialmente em risco.


Quando o corpo humano resfria demais, é comum que as regiões das extremidades sejam as mais afetadas. Nesses casos, depois de um tempo de frio extremo, a pessoa geralmente tem queimaduras nas extremidades, que são basicamente ferimentos causados pelo congelamento. As regiões mais propensas a esse tipo de queimadura são os dedos das mãos e dos pés – no caso dos pés, ainda que você esteja de sapatos, se suar, a temperatura só vai cair.


Normalmente, a temperatura média do corpo humano é de 37º c, e quando esse valor começa a diminuir todas as nossas funções corporais passam a ficar comprometidas.

· Com 32º c, a pessoa pode ter amnésia;

· Com 27º c, já fica inconsciente;

· Com menos de 21º c, já está sofrendo hipotermia rigorosa com risco de morte.


O caso mais severo de hipotermia já registrado, e cuja vítima sobreviveu, foi o de uma pessoa que caiu em uma água muito fria, onde permaneceu por um tempo, e teve sua temperatura corporal registrada em apenas 13,7º c.


O congelamento total de um corpo vai depender não apenas da temperatura a que está exposto, mas também do tempo que ficou exposto a ela. Em uma temperatura de -17º c com vento, uma pessoa pode ficar congelada em apenas 30 minutos; e as queimaduras podem surgir em apenas 5 minutos de exposição a uma temperatura de -26º c.


Então, se você acha que é quase impossível morrer de frio em um país de clima tropical como o Brasil, é melhor rever seus conceitos. Os primeiros sinais de hipotermia podem surgir depois de um longo período exposto a temperaturas inferiores a 10ºC. Assim, não é muito difícil que isso aconteça em uma madrugada de inverno de São Paulo, por exemplo, especialmente para as pessoas sem teto.


O corpo humano é bastante resistente ao frio, e possui dois mecanismos internos bastante eficientes, conforme podemos ver a seguir:

- Assim que o vento congelante bate no nosso rosto, a primeira resposta vem do sangue, que se move para longe da pele e de outras extremidades, como mãos e pés, e se acumula no torso. Esse efeito é chamado de vasoconstrição, e ajuda a limitar a quantidade de calor que o corpo perde para o meio ambiente.

- A segunda resposta são os tremores, que só são experimentados em grande quantidade quando a temperatura do torso cai. Essa temperatura anormalmente baixa é chamada de hipotermia. Se estiver chovendo a situação se agrava ainda mais rapidamente.


Quando o corpo entre no estado de hipotermia, as consequências são desastrosas para o organismo, e podem variar de intensidade, começando com ranger de dentes, sensação de fadiga, câimbras, evoluindo para dores e perda de sensibilidade nas extremidades do corpo (dedos, nariz e orelhas), confusão mental, alterações bruscas da pressão sanguínea, arritmia e respiração ofegante.


Em casos graves de hipotermia pode acontecer a necrose muscular ou até mesmo a necrose óssea. Como não é muito difícil de se imaginar, nesse tipo de situação é quase certo que seja necessária a amputação do membro para evitar que a vítima morra. Essa etapa da hipotermia, com certeza, é uma das mais dolorosas, já que seu corpo vai morrendo aos pouquinhos, pelas extremidades.


Qualquer pessoa com sintomas de hipotermia precisa de assistência médica imediata. Até que a ajuda médica chegue, o seguinte pode ajudar:

· Movendo a pessoa para um lugar quente e seco, se possível, ou protegendo-a dos elementos

· Remover roupas molhadas, cortando itens, se necessário

· Cobrindo todo o corpo e cabeça com cobertores, deixando apenas o rosto claro

· Colocando o indivíduo em um cobertor para isolá-los do chão

· Monitorização da respiração e realização de RCP se a respiração cessar

· Fornecer contato pele a pele, se possível, removendo roupas e envolvendo você e o indivíduo no cobertor para transferir calor

· Fornecer bebidas quentes, se o indivíduo estiver consciente, mas sem álcool ou cafeína


O calor direto, como lâmpadas de aquecimento ou água quente, esfregar ou massagear o corpo não devem ser usados, pois, além de poder danificar a pele, pode causar batimentos cardíacos irregulares e, potencialmente, uma parada cardíaca.