Pegue-me se puder: estudo revela como os disfarces podem ser surpreendentes


De acordo com uma nova pesquisa, mudanças superficiais, mas deliberadas, na aparência facial de alguém - como um novo penteado ou mudanças no aspecto em geral (maquiagem, aumento/perda de peso, bronzeamento, etc.) - são incrivelmente eficazes para disfarçar, e até mesmo confundir, a identidade de uma pessoa.


O músico Chad Smith (à esq.) e o ator Will Ferrell. Que possuem uma incrível semelhança.

No estudo, liderado por pesquisadores das universidades de York e Huddersfield, os participantes convidados a fazer os reconhecimentos foram frequentemente enganados por disfarces, quando solicitados a julgar se duas fotografias mostravam as mesmas pessoas ou pessoas diferentes. Os disfarces reduziram a capacidade dos participantes de igualar os rostos em cerca de 30%, mesmo quando foram avisados ​​de que algumas pessoas haviam mudado sua aparência. Os participantes só conseguiam ver através de disfarces, de forma confiável, quando conheciam as pessoas nas imagens.


O co-autor do estudo, Dr. Rob Jenkins do Departamento de Psicologia da Universidade de York, disse: "Não devemos ser complacentes sobre o disfarce deliberado em configurações criminais e de segurança. Quando alguém coloca sua mente para esconder sua identidade, pode ser muito eficaz. A familiaridade com as pessoas que se disfarçam melhora a precisão. Quando você não está familiarizado com um rosto, é facilmente enganado por mudanças superficiais no penteado ou na coloração da pele. No entanto, quando você 'conhece' um rosto, você tende a confiar mais nas características faciais internas - olhos, nariz e boca - que são muito mais difíceis de alterar."


Os modelos recrutados para o estudo receberam tempo e recursos para mudar sua aparência. Muitos usaram maquiagem, mudaram a cor do cabelo e estilo, e alguns deixaram crescer, ou retiraram, pelos faciais. Para garantir o máximo esforço, foi introduzido um incentivo financeiro, com um prêmio para o modelo cujo disfarce enganasse a maioria dos participantes. Adereços como chapéus ou óculos escuros não foram permitidos, pois são proibidos em configurações de segurança reais.


Os pesquisadores compararam a eficácia de dois métodos diferentes de disfarce.

  • O disfarce de representação – quanto você tenta se parecer com outra pessoa - Muitas vezes usado por pessoas que tentam viajar usando um passaporte roubado, ou em casos de roubo de identidade.

  • O disfarce de evasão – quando você tenta não se parecer com você mesmo - Pode ser usado em programas de proteção a testemunhas ou por policiais disfarçados, bem como por criminosos suspeitos, fugindo da lei.

O estudo descobriu que o disfarce de evasão é muito mais eficaz do que o disfarce de representação.



Exemplos de modelos do estudo com e sem disfarce. Os pares de "mesma pessoa" mostram o disfarce de evasão (tentando não parecer com eles mesmos). Já os pares "pessoas diferentes" mostram disfarce de representação (tentando parecer uma pessoa-alvo específica). (Crédito: Dr. Rob Jenkins, Universidade de York)

O Dr. Eilidh Noyes, da Universidade de Hudderfield, acrescentou: "Com o disfarce de evasão, você pode mudar sua aparência da maneira que preferir. Com a representação, você só pode mudar sua aparência de maneiras que lembram seu alvo, então suas opções são muito mais restritas. O disfarce deliberado representa um verdadeiro desafio para o reconhecimento de rosto humano. O próximo passo é testar o reconhecimento automático de rosto nas mesmas experiências."


E aí é que começam, ou aumentam, os problemas, com o reconhecimento automático.


Há uma explicação técnica por trás desses problemas. Os algoritmos são treinados para reconhecer feições com base em uma série de rostos. Se o computador não tiver contato com alguém de olhos puxados, de pele escura, ou uma pessoa transgênero ele não irá reconhecê-los. Afinal, ele não foi ensinado a reconhecer essas características.


Thammy Gretchen - famoso transgênero brasileiro

Um algoritmo pode estar certo 95% das vezes e, ainda assim, não identificar corretamente a pessoa. Ou ele pode ter 99% de precisão e, mesmo assim, classificar erroneamente uma pessoa transgênero. Isso se tornará especialmente problemático quando, por exemplo, a Agência de Fiscalização de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA adotar seu novo sistema de biometria. Pessoas transgêneras que passaram por pontos de controle da TSA (sigla em inglês para Administração de Segurança dos Transportes) já compartilharam histórias absurdas sobre o que acontece quando seus dados biométricos não "coincidem" com seu nome social.


Os resultados da pesquisa realizada na Universidade de York foram publicados no Journal of Experimental Psychology: Applied .

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